A conexão entre Argentina e Brasil nunca esteve tão evidente na música. Nos últimos anos, o intercâmbio cultural entre os dois países cresceu de forma orgânica, impulsionado pelas plataformas digitais e pelas redes sociais. Esse movimento tem aproximado artistas, estilos e públicos, criando uma ponte sonora onde ritmos brasileiros ganham cada vez mais espaço no cenário argentino. Isso acontece specialmente através do funk brasileiro e de suas variações híbridas como o chamado “funketon”, mistura de funk com reggaeton e estética urbana latina.
O funk brasileiro já é um fenômeno global e passou a influenciar diretamente produções de artistas argentinos. Nomes como Trueno, Bizarrap, Emilia, Lauty Gram e Peipper vêm incorporando batidas inspiradas no funk em suas músicas ou explorando colaborações com brasileiros. Essa mistura cria um som que une o flow latino com a energia do funk, resultando em uma estética que se aproxima do “funketon”.
Além das influências diretas, também é cada vez mais comum ver versões em espanhol, muitas vezes com pegada de cumbia, de sucessos brasileiros. Nesse sentido, artistas como Valen Vargas, Migrantes, Max Carra e outros nomes da cena tropical já adaptaram hits populares do Brasil. Além disso, esse movimento mostra como essas músicas atravessam fronteiras e se reinventam em novos contextos culturais. Por fim, esse fenômeno reforça a versatilidade da música brasileira e sua forte presença no mercado latino.
Veja artistas que já colocaram funk nas músicas e vêm aproximando cada vez o cenário:
Lauty Gram
Um dos primeiros nomes da nova geração argentina a apostar nessa mistura foi Lauty Gram, que chamou atenção ao combinar português e espanhol com batidas de funk brasileiro no single “Uff Mi Amor”, lançado há quase quatro anos. Desde então, o artista vem reforçando essa conexão ao incorporar referências do Brasil em diversos outros lançamentos, consolidando uma identidade musical marcada por essa fusão cultural. Por isso, Lauty também mantém uma forte relação com o país, especialmente no sul do país, com apresentações frequentes em Santa Catarina, região conhecida pela grande presença de turistas argentinos e uruguaios e por suas festas voltadas a esse público.
Um dos lançamentos mais recentes que reforça essa conexão é o single “Quiebra Cintura“, parceria de Lauty Gram com Peipper e El Turko. A faixa aposta diretamente na energia do funk brasileiro, com batidas marcantes, grave pesado e uma estética que remete ao funk carioca. O resultado é um som pensado para o baile, mostrando como essa nova geração de artistas argentinos vem incorporando cada vez mais elementos do Brasil em suas produções e fortalecendo ainda mais essa ponte musical entre os dois países.
Outro exemplo claro dessa influência é “Tiemble”, parceria do artista com Alejo Isakk e Omar Varela. Nesse sentido, a faixa aposta diretamente em uma base de funk brasileiro, com batidas marcantes, ritmo acelerado e uma estética pensada para a pista. Além disso, isso reforça como essa sonoridade já faz parte do repertório do artista. Por fim, Lauty Gram constantemente incorpora referências do Brasil e do funk em seus lançamentos, mantendo essa influência como uma característica recorrente da sua identidade musical.
Peipper
Peipper é hoje um dos grandes nomes dessa nova cena que mistura o funk brasileiro com a música urbana argentina. O artista ganhou enorme destaque com o hit “Si La Gata se Amotinan“, em parceria com Doble P e Locura Mix, que ultrapassou a marca de mais de 100 milhões de streams nas plataformas digitais, consolidando seu nome entre os principais representantes desse som na América Latina. O impacto da faixa foi tão grande que ela acabou ganhando uma versão com Pedro Sampaio, reforçando ainda mais a ponte entre o funk brasileiro e a cena urbana argentina.
Emilia
Emilia já vem há alguns anos fortalecendo sua conexão com o Brasil por meio de colaborações de grande destaque, incluindo feats com Anitta, Luísa Sonza e Pedro Sampaio, consolidando sua presença no mercado musical brasileiro. Mas a artista deu um passo ainda mais evidente nessa fusão cultural ao trazer referências diretas do funk brasileiro no single “Blackout”, em parceria com Tini e Nicki Nicole. A faixa reforça a tendência crescente de artistas argentinos incorporarem sonoridades do funk em produções de alcance internacional, ampliando ainda mais a ponte musical entre Brasil e Argentina.
Maria Becerra
Maria Becerra também reforça essa conexão entre Argentina e Brasil em seu trabalho com XROSS na faixa “Frutilla del Pastel“. O clipe foi gravado em uma praia, trazendo uma estética leve e tropical que dialoga com a energia do funk brasileiro. A música reforça essa estética mais urbana e híbrida, misturando espanhol com pequenas inserções de português e batidas que dialogam diretamente com o funk, mostrando como essa influência brasileira já faz parte da nova geração da música latina.
Além disso, a produção chama atenção pelo uso das cores verde e amarelo nas roupas e na direção de arte, uma referência visual direta ao Brasil que reforça ainda mais essa ponte cultural entre os dois países dentro da música latina atual.
Trueno
Há pouco mais de um ano, Trueno lançou a faixa “Fale Então“, em parceria com Marshmello, reforçando ainda mais a ponte entre a cena urbana argentina e influências globais. O visualizer da música traz referências ao futebol e à cultura de rua, enquanto a sonoridade mistura funk brasileiro com rap, criando uma estética híbrida e dançante.
A faixa se destaca também pelo uso de versos em português e espanhol, explorando o “portunhol” que o próprio artista menciona ao longo da canção. Além disso, ele chega a se referir ao estilo como um “funk argentino”, evidenciando essa adaptação local de um gênero fortemente associado ao Brasil. Nesse contexto, fica clara a intenção de aproximar ainda mais essas duas culturas musicais. Por fim, Trueno é considerado um dos principais rappers da Argentina e um dos maiores nomes da música urbana do país, com forte presença internacional e papel central nessa nova geração que conecta cada vez mais a música argentina ao som brasileiro.
Migrantes
Migrantes não flerta diretamente com o funk brasileiro como parte central do seu estilo, mas o grupo já demonstrou abertura para a sonoridade urbana do Brasil em diferentes colaborações. Um exemplo disso é a faixa “Toma Toma“, parceria com Boschin, MC Nito e Matheus Muniz, onde eles arriscam diretamente em uma base de funk, incorporando batidas mais próximas do baile e até trechos em português. Essa colaboração reforça como a cena argentina vem se conectando cada vez mais com artistas brasileiros, explorando o funk não apenas como influência, mas também como ponte criativa entre os dois países.
Valen Vargas
Valen Vargas é outro nome da cena argentina que não flerta diretamente com o funk brasileiro, mas mantém uma relação constante com referências do Brasil em suas apresentações e escolhas musicais. Um dos momentos que mais chamou atenção foi quando o artista viralizou no TikTok ao incluir o hit “O Grave Bater” durante um show, performance que alcançou quase 10 milhões de visualizações nas redes sociais. Esse episódio reforça como a cultura do funk brasileiro tem atravessado fronteiras e ganhado espaço até mesmo em artistas que não atuam diretamente dentro do gênero, mas reconhecem sua força e impacto no público latino.
Manu Dal Santo
Manu Dal Santo é uma das artistas em ascensão da cena argentina e vem se destacando justamente por essa aproximação com o Brasil. Nesse sentido, recentemente ela lançou o single “Vai Seu Gostoso”, em parceria com MC Nito e Rebecca, reforçando essa troca entre artistas dos dois países. Além disso, o clipe foi gravado no Rio de Janeiro, trazendo toda a estética de favela, baile e cultura urbana brasileira. Por fim, isso evidencia como a artista vem incorporando cada vez mais referências diretas do funk brasileiro em sua identidade musical e visual.
Como resultado, fica claro que a relação entre Argentina e Brasil vai muito além da proximidade geográfica. A música se consolidou como um dos principais pontos de conexão entre os dois países, mostrando que o funk brasileiro e outros sucessos nacionais estão conquistando cada vez mais espaço no país vizinho. A tendência é que essa troca continue crescendo, impulsionando novas colaborações e fortalecendo ainda mais essa união cultural na América Latina.

