O cantor e compositor argentino FMK está estreitando ainda mais sua conexão com o Brasil. Em entrevista exclusiva ao Latin Music Brasil, o artista falou sobre “Quiero Ser Feliz También”, sua versão em espanhol de uma canção do Natiruts, revelou detalhes do processo de adaptação da faixa e comentou sua relação com a música brasileira. Ao longo da conversa, FMK também falou sobre felicidade, composição, novos projetos, sua vontade de explorar diferentes gêneros musicais e o desejo de, em breve, levar sua música para os palcos brasileiros.
Como surgiu a ideia de gravar “Quiero Ser Feliz También”, uma versão de uma música do Natiruts?
Sou um grande fã de reggae e vinha escutando muito essa música. Comecei a escrevê-la em espanhol e a tocá-la nos shows. Depois pensei: “Depois de ter dado tantas canções para tantas pessoas, por que não pegar uma de outros autores?”. Escrevemos para os meninos do Natiruts, eles concordaram e deu certo. Eu adoro todos os temas deles, então foi uma escolha difícil.
A felicidade é o tema central da música. Hoje, para o FMK fora dos palcos, o que é felicidade?
Acho que é que a família esteja bem, sabe? Gostar dos momentos simples. Para mim, isso é muito importante. Essa música expressa muito isso, o amor não só das relações, mas também da família e dos amigos. Hoje encontro bastante felicidade na simplicidade. Se comemos um churrasco com os meus amigos, já há felicidade aí.
Como foi adaptar uma música tão querida pelo público brasileiro sem perder sua essência?
Esse foi o trabalho dos músicos que integraram a canção, o Benja e o Estani. A ideia foi dar a nossa identidade, mas continuar transmitindo essa vibração linda que a música do Natiruts tem. Respeitamos as melodias e tentamos encontrar palavras em espanhol que mantivessem a sonoridade, as rimas e a melodia. Também adicionamos elementos brasileiros, como o cavaquinho, para encontrar um híbrido entre o que queríamos fazer e o que já estava presente na versão original.
Você já tinha uma relação com a música brasileira?
Sim, sempre gostei. Sou de Necochea, uma cidade ao sul de Buenos Aires, na praia, então o reggae e toda essa vibe de praia são muito presentes. O Natiruts é uma banda que consumimos demais. Também gosto muito dos Paralamas e já trabalhei em composições com artistas como Luísa Sonza e Dennis. Viajo para o Brasil desde muito pequeno e já fiz vários acampamentos de composição por lá, principalmente com artistas do urbano e do funk.
E você fala português?
Não, zero, zero! (risos) Nunca sentei para aprender de verdade, mas adoro o Brasil. Este ano passei o Ano Novo com a minha família em Pipa e Ponta Negra. Tenho amigas que estudam português e às vezes me ensinam algumas palavras. Quando falam devagar, conseguimos nos entender um pouco, mas quando falam rápido é mais difícil.
Com quais outros artistas brasileiros você gostaria de trabalhar?
Com os Paralamas e com o Natiruts também. Gosto muito do som mais cru que os artistas de lá têm. Sempre que vamos ao Brasil, trabalhamos com muitos artistas. Sou ruim para nomes, por isso não estou citando todos, mas tenho muitos deles no meu Spotify.
Nos últimos anos, artistas argentinos e brasileiros estão cada vez mais próximos. Você sente que essa aproximação cultural está crescendo na música latina?
Sim, acho que é lindo. O Brasil sempre teve uma indústria muito forte e, pelo que sempre me disseram, é um mercado bastante fechado em relação à música de outros lugares. Então, que hoje os argentinos tenham a oportunidade de fazer shows lá, que existam colaborações e essas conexões, é muito bom. Nós sempre fomos inspirados pela música brasileira. Hoje a música está tão global e está transcendendo tantos lugares que é legal começar a abrir essas portas para os dois lados.
Você se consolidou como compositor de grandes sucessos. Hoje, o que é mais desafiador: escrever para você ou para outras pessoas?
Hoje me sinto confortável com as duas opções. Estou simplesmente desfrutando de fazer o que quero e lançar a música que quero. Estou me dando o luxo de compor com quem quero, gravar com quem quero ou fazer a música que quero. Então a pressão é zero.
Você já escreveu para diferentes emoções. Qual é a mais difícil de transformar em música?
A felicidade. Sempre escrevemos mais para a tristeza e para a nostalgia, e isso é mais fácil para mim. Essa música me impactou muito porque aprendi a encontrar outra forma de dizer as coisas. Estou prestando muita atenção às letras e aprendendo a falar sobre felicidade, superação, amor e paz de uma maneira diferente.
Existe alguma música sua que ainda te emociona quando você canta?
Muitas. Acho que as primeiras sempre, porque foram a porta para todo esse caminho. “Un Finde” mudou a minha vida, assim como “Anea”, “Perdóname” e “De Vacaciones”. São marcos que acontecem quando você sente que uma música move alguma coisa e é sempre bom compartilhar essas canções com o público.
Agora que você está experimentando novos sons, existe algum gênero que ainda gostaria de explorar?
Sim. Daqui a pouco lanço outra música de um gênero que nunca fiz, com um artista com quem nunca colaborei diretamente. Também estou fazendo um projeto de sessões, e “Quiero Ser Feliz” é a primeira. É algo mais íntimo, dentro do estúdio, com os músicos, dando mais importância à letra e à música do que ao visual. Vai ter muitos gêneros e, obviamente, estou colaborando com bandas de reggae que gosto muito desde criança.
Podemos esperar um show do FMK no Brasil?
Tomara! Eu adoraria. O mais rápido possível seria incrível. Sempre estou aí, passei o Ano Novo, já fui outras vezes e venho há muitos anos. Tomara que em breve seja com a música também.
Para finalizar, deixe uma mensagem para os seus fãs brasileiros.
Para todos os meus fãs do Brasil: amo muito vocês! Obrigado por escutarem a minha música e essa versão tão linda que alguns artistas daí nos deram. Esperamos estar em breve por aí, tanto de férias quanto fazendo música e cantando. Mando um beijo para vocês!


