A arte de Breezia sempre flertou com o íntimo, mas em seu novo single, “não sei o que sentir sobre você“, ela tocou em uma ferida que muitos guardam em silêncio: o luto por alguém que ainda está vivo. Ao vocalizar a dor de perder um amigo e a confusão de sentimentos que resta após o fim, a artista não apenas inaugurou a era de seu primeiro álbum de estúdio, mas criou um ‘espelho coletivo’ onde fãs encontraram validação para suas próprias ausências.
O feedback tem sido tão profundo que transpõe a barreira entre artista e público. Breezia revela que recebeu relatos emocionados, incluindo mensagens de quem esteve “do outro lado” da história, provando que sua música se tornou um canal de comunicação para dores que muitos não sabiam como verbalizar. Essa troca, que ela define como um processo curativo, é o combustível para sua estreia nos palcos, onde a melancolia dos sintetizadores dará lugar ao calor do encontro real.
Nesta entrevista ao Latin Music Brasil, Breezia abre o coração sobre como foi transformar a solidão de um “pequeno planeta isolado” em uma comunidade. Ela detalha o impacto de narrar uma perda, antecipada expectativas para shows, comenta sua admiração por Number Teddie e revela o que o público pode esperar da narrativa conceitual que guiará seu aguardado álbum de estreia.
Leia a entrevista completa:
Você recebeu mensagens de fãs que vivem esse mesmo “luto vivo”? Alguma história que mais te tocou?
Muito! Os fãs estão super ligados com esse tema, muitos inclusive alegaram que finalmente entenderam o que era exatamente esse vazio tão peculiar. Acho que, por incrível que pareça, o que mais me tocou foi o de um seguidor que relatou ter sido o amigo que foi embora! Essa pessoa disse que se arrependia muito, e que doía demais saber como o outro lado se sentiu. No final do dia, somos humanos, é muito inevitável errar, e esse relato me fez pensar sobre isso.
“não sei o que sentir sobre você” é uma música sobre “luto por alguém que não morreu”. Escrever sobre essa dor ajudou você a encerrar o ciclo ou cantar a música faz a ferida abrir de novo?
Ajudou mais do que você imagina! Eu senti que compartilhar essa solidão acabou me trazendo o oposto disso, finalmente encontrei uma comunidade de pessoas que se identificavam exatamente com isso, então parecia menos triste. Sempre que decido compartilhar uma história com o mundo, algo muito lindo floresce disso, é um processo curativo.
O que esse single tem de mais diferente de tudo que você já lançou antes?
Ele conta uma história inédita. Contar sobre a perda de um amigo pegou meus fãs de surpresa, já que eles esperavam, por causa das dicas, que eu narraria sobre uma história de romance (ou pelo menos o fim de um). Quando todo mundo notou que não seria isso, e sim a perda de um amigo, sinto que as pessoas pensaram “Nossa, isso é diferente!”.
Você falou que esse projeto marca sua estreia nos palcos. O que você está preparando para o público sentir quando te ver ao vivo pela primeira vez?
Será um momento muito revigorante pra mim, já que eu nunca tive esse contato direto com meus fãs. Ouvir música ao vivo é sempre uma experiência curativa, e eu sinto que é por essa troca de energia que acontece. Quero ver os olhinhos deles me olhando, ouvir a voz deles se tornando uma só com a minha.
E o que se pode esperar dos próximos passos? Vem single por aí?
Vem! Muito mais rápido do que todo mundo imagina! Agora estamos na era do álbum, então trabalharemos muito essa história, e antes do lançamento da obra completa, teremos mais lançamentos!
No Latin Music Brasil, a gente ama descobrir o que os artistas ouvem. Tem algum cantor ou banda que você admira e que adoraria ver fazendo uma visita ao seu “universo” musical?
Number Teddie! Nunca escondo que sou uma grande fã, amo tudo sobre a arte dele. Espero que um dia a gente tenha a chance de trabalhar junto.

